Proprietário de marcas como Haibike, Lapierre e Ghost, Accell Group anuncia procedimento de suspensão de pagamentos a fornecedores após longa crise financeira que teve início no período da pandemia
A crise global que arrasta a indústria da bicicleta desde o fim do boom de vendas por ocasião da pandemia acaba atingir uma de suas vítimas mais importantes do mercado.Quase seis meses após garantir novos investidores com o objetivo de reestruturar e reduzir suas dívidas, o Grupo Accell — proprietário das marcas de bicicletas e e-bikes Haibike, Lapierre, Ghost, Winora, Raleigh, Batavus, Sparta, Koga, Babboe e Carqon, além da marca de componentes e acessórios XLC — anunciou nesta quarta-feira (05/07) que deu início a um processo de insolvência jurídica.

A queda da Accell reflete o momento complicado que boa parte da indústria de bicicletas atravessa, queainda não deu sinais de recuperação em relação aos anos seguintes à Covid-19, quando a forte demanda por bikes — especialmente as elétricas — gerou um boom de vendas que não se repetiu desde então. Na ocasião, o cenário excessivamente otimista levou o fundo de investimentos KKR a comprar a Accell em 2022 por cerca de 1,8 bilhão de euros, convencido de que o crescimento do setor continuaria por muitos anos. No entanto, a realidade foi bem diferente.
Em fevereiro deste ano, Accell anunciou que havia garantido um novo investimento que, segundo eles, reduziria a dívida da empresa e a colocaria em uma situação financeira mais estável. Na mesma ocasião entretanto, a KKR deixou a participação acionária na empresa, oque sem dúvida colaborou para a desestabilização financeira da Accell.
Desde então, segundo a Accell, seus consultores “exploraram todas as possibilidades para o futuro do grupo, incluindo discussões com diversas partes interessadas, a análise de múltiplas ofertas e a busca de aprovação regulatória para uma possível fusão”.
“Trata-se de uma situação profundamente triste e frustrante para nós, considerando todo o trabalho árduo e tudo o que conquistamos com o apoio de acionistas e credores para reestruturar as operações e finanças da Accell”, disse o CEO da empresa, Jonas Nilsson. “É um momento especialmente difícil para nossos funcionários, credores, clientes, fornecedores e parceiros. Todas as opções realistas para o futuro da empresa foram exaustivamente exploradas, e nenhuma resultou em uma solução que permita a continuidade do Grupo em seu formato atual.”
“Nosso foco imediato é apoiar um processo ordenado, fornecer clareza sempre que possível e trabalhar com os administradores judiciais competentes para preservar atividades viáveis e empregos, quando as circunstâncias permitirem”, finalizou.
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