24 de fevereiro de 2024
Park Tool
Foto: Park Tool

5 dicas importantes para quem vai deixar a bike parada por muito tempo

Confira a dica de especialistas sobre como manter sua bicicleta em bom estado de conservação nos períodos de inatividade prolongada

Às vezes, por um motivo alheio a nossa vontade, ficamos impossibilitados de pedalar com a frequência que gostaríamos. Seja por motivos de saúde ou falta de tempo, deixar a bike na garagem por um período de tempo superior a um mês requer alguns cuidados básicos para preservar sua integridade e garantir seu retorno às ruas e trilhas sem problemas mecânicos.

Confira a dica de quatro especialistas em oficina mecânica sobre quais os principais cuidados que devemos ter ao ao deixar a bicicleta parada por algum tempo:

Mantenha a bike limpa e longe da exposição aos elementos

Oggi Cattura Pro XT
O ideal é lavar e secar completamente a bike antes de deixá-la guardada por longos períodos – Foto: André Ramos / MTB Brasília

Simplesmente guardar a bike suja por períodos prolongados pode resultar em uma série de problemas para o quadro, peças e componentes. Partículas de asfalto, óleo e outros contaminantes aderem à superfície do quadro e com o tempo resultam em manchas de difícil remoção, podendo inclusive comprometer a pintura. Por isso, o ideal é realizar uma lavagem prévia na bike.

“Um produto que costuma dar trabalho pra ser removido do quadro é o selante que vaza dos pneus. Depois de seco, fica bem mais difícil de sair”, diz o experiente Rodrigo Yamaguchi, especialista nas marcas Cannondale e DT Swiss, entre outras.

Rodrigo Yamagucchi
Rodrigo Yamagucchi – Foto: Hudson Malta

“Para quem vai deixar a bike parada, recomenda-se lavar a bicicleta, secá-la completamente e aplicar algum produto que proteja a pintura e os componentes, como o Silicone PTFE da Algoo“, disse Rodrigo.

Evite a todo custo deixar sua bike parada em locais sob o sol direto, exposição à chuva ou com umidade excessiva.

“Caso a bike fique guardada em um local pouco protegido, considere utilizar uma capa protetora por cima da bike”, recomenda Leonardo Wellington, Instrutor do Centro de Treinamento da Isapa (CTI). “O uso do spray Algoo Silicone PTFE ou do polidor Finish Line Showroom irão proteger a pintura do quadro e o revestimento do selim da bike, evitando seu ressecamento e manchas”, completa.

Grupos eletrônicos – Outro cuidado particularmente importante e manter carregada a bateria das transmissões eletrônicas e das e-Bike.

“Tanto nos grupos de transmissão Di2 quanto no Shimano STEPS, é fundamental que não deixemos a bateria esgotar, pois caso isto ocorra, o sistema perderá todas as configurações de funcionamento”, alerta Valdecir Lopes, coordenador do Shimano Service Center no Brasil.

Cuidados com a transmissão

Transmissão Oggi Cattura Pro XT
Foto: André Ramos / MTB Brasília

Jamais deixe sua bicicleta encostada no chão ou na parede apoiada pelo câmbio traseiro! Isto poderá causar empeno da gancheira, peça que funciona como elo entre o câmbio e o quadro da bike. Caso isto ocorra, todo o funcionamento da troca de marchas ficará comprometido.

Tensão da mola: Verdade ou mito? – No meio ciclístico, muito se fala na necessidade de sempre guardar a bike com a transmissão no menor pinhão do cassete e na menor coroa, de forma não forçar a mola do câmbio traseiro. Será verdade?

Val Lopes
Val Lopes – Foto: Mateus Ferraz / Shimano

“Nos primeiros câmbios isto até poderia ocorrer, mas nos dias de hoje, o material empregado nas molas de câmbio possui uma ductilidade muito alta, que não irá deformar se deixarmos o câmbio tensionado. Portanto, não há a menor necessidade de se preocupar com isso”, afirma Val Lopes.

“Em todos esses anos como profissional, nunca vi um câmbio ficar ‘frouxo’ só por ter ficado tensionado durante um longo período de inatividade”, diz Yamagucchi.

Lubrifique a corrente

Lubrificante Algoo Lube Cera Premium, com PTFE
Foto: André Ramos / MTB Brasília

Manter a corrente corretamente lubrificada irá reduzir a possibilidade de oxidação na mesma, preservando sua vida útil.

Antes de lubrificá-la, remova qualquer oleosidade e impureza da corrente da sua bicicleta utilizando um desengraxante não derivado de petróleo – jamais utilize óleo diesel ou querosene na operação! Após a operação, enxague a corrente com água e seque-a completamente.

Após a secagem, aplique uma gota de lubrificante em cada rolete da corrente, evitando o excesso que possa escorrer nas placas externas. Dê preferência por lubrificantes do tipo seco, que não atraem partículas de poeira para a corrente.

Leonardo Wellington
Leonardo Wellington – Foto: Divulgação

“O óleo seco da Finish Line é o ideal para isso, pois contém aditivos que inibem a oxidação, além de Teflon, que repele a umidade”, recomenda Leonardo.

4. Calibre os pneus

Bomba de ar Bontrager Flash Charger
Foto: André Ramos / MTB Brasília

Nunca armazene sua bicicleta com os pneus murchos. O peso do aro sobre a borracha poderá deformar o material do pneu, inutilizando-o. Além disso, deixar a bike exposta ao sol poderá resultar em ressecamento e rachaduras nos pneus, principalmente os mais finos, como os modelos para bicicletas de estrada.

“Não há a necessidade de ser criterioso na calibragem, mas deve haver pressão o suficiente para evitar a deformação dos pneus”, explica Gilberto Alves, o Giba, analista de produtos da Isapa, distribuidora oficial dos pneus Kenda no Brasil. 

Gilberto Alves
Gilberto Alves – Foto: Divulgação

Para quem utiliza sistemas sem câmara de ar (tubeless), é fundamental as rodas sejam giradas pelo menos uma vez por semana, evitando que o selante em seu interior evapore, deixando uma camada de látex sólido em uma das paredes do pneu, deixando-o desbalanceado. 

“Uma boa ideia para que utiliza rodas e pneus tubeless é usar selantes que utilizem partículas de kevlar como coagulante no lugar do látex, como o da Finish Line. Esse tipo de selante não seca dentro do pneu, evitando a criação de crostas de difícil remoção”, diz Giba.

Cuidados com a suspensão

Manitou Machete Pro
Foto: André Ramos / MTB Brasília

Antes de deixar a bike na garagem, limpe com um pano ou pincel macio as hastes de suspensão e seus raspadores, eliminando eventuais partículas de detritos que possam arranhar sua superfície, inutilizando-a permanentemente. 

“Após a limpeza, aplique algumas gotas de óleo (meu favorito é o Wet, da Finish Line) ao redor das hastes. em seguida, acione os freios e com o peso do corpo acione diversas vezes a suspensão, fazendo com que o óleo se espalhe ao longo das hastes. Após isto, retire o excesso com uma toalha de papel ou pano macio”, recomenda Rodrigo Yamagucchi.

“Ao menos uma vez por semana acione a suspensão, fazendo-a trabalhar. Isto fará com que o óleo no interior do garfo se espalhe, lubrificando o sistema”, completa Leonardo Wellington.

Retornando às pedaladas

Após o retorno às atividades, alguns cuidados devem ser observados. Além da recomendação óbvia de recalibrar os pneus, recomenda-se checar o funcionamento das marchas e dos freios antes de sair para pedalar.

“Caso haja alguma bolha de ar no sistema hidráulico dos freios, poderá ocorrer mau funcionamento dos mesmos, principalmente se a bicicleta estiver armazenada na posição vertical”, alerta Gilberto Alves.

Caso isto ocorra, pressione as manetes até que os freios retornem a sua normalidade. Caso isto não ocorra, procure uma oficina para a realização de uma sangria (troca do fluido hidráulico).

Giba alerta ainda para a importância de se conferir a troca das marchas: “Com o tempo, a falta de uso pode fazer com que os cabos de marcha fiquem parcialmente aderidos no interior dos conduítes devido a lubrificação inadequada. Antes de pedalar, acione as marchas diversas vezes, fazendo com que os cabos se movimentem, liberando-os”, completa.

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