22 de maio de 2024
Foto: Reprodução / Vídeo

Atropelador de ciclistas é condenado a 12 anos e nove meses de prisão

Ricardo Neis, que em 2011 atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre (RS), ainda poderá recorrer em liberdade da sentença

Ricardo Neis, que atropelou um grupo de ciclistas do Massa Crítica — movimento que realiza atos pelas ruas com o objetivo de divulgar a bicicleta como meio de transporte —, foi condenado na noite de ontem (24) a uma sentença de 12 anos e nove meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por 11 tentativas de homicídio e cinco lesões corporais.

O atropelador Ricardo Neis poderá apelar da sentença em liberdade
O atropelador Ricardo Neis poderá apelar da sentença em liberdade

Ao ouvir a sentença proferida pelo juiz, Neis, que é servidor público federal, não esboçou reação, embora seu advogado tenha declarado que irá recorrer. Apesar da condenação, Neis ainda poderá recorrer em liberdade e não perderá seu emprego, embora não possua mais licença para dirigir.

A promotora Lúcia Helena de Lima Callegari afirmou que o Ministério Público também irá recorrer, mas para tentar elevar a pena, considerada branda. Já o promotor Eugênio Amorim diz que teme que o julgamento seja anulado pelo Tribunal de Justiça.

“Tenho muito medo de que esse processo está afeito à 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, que já tomou decisões inusitadas a este respeito, como dizer que aqueles que foram atingidos por outra bicicleta não foram vítimas de tentativa de homicídio. A Terceira Câmara tem feito coisas extraordinárias, e tenho muito medo de que, por não concordar com a decisão do júri, por algo déspota de desrespeito à decisão do júri, este processo venha a ser anulado. Espero que não seja”, afirmou.

Com a decisão, diversos ciclistas que estavam presentes no julgamento comemoraram, não obstante a possibilidade de recurso por parte do réu.

O crime aconteceu no dia 25 de fevereiro de 2011 quando, por volta das 19h, Neis atingiu deliberadamente com seu carro um grupo de ciclistas  do grupo Massa Crítica que que participavam de uma pedalada coletiva que costuma ser realizada sempre nas últimas sextas-feiras de cada mês em Porto Alegre. Na ocasião, o bancário ficou apenas um mês preso após o atropelamento.

O motorista dirigia um Golf e estava com o filho no carro e teria ficado irritado ao ver a passagem bloqueada quando circulava na Rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa, por volta das 19h. As imagens do atropelamento, que foram gravadas por participantes do ato, mostram Neis fazendo o que muitos chamaram de um “strike” de ciclistas.

No mesmo ano do atropelamento, o bancário teve sua prisão preventiva decretada, mas pouco mais de um mês depois, obteve liberdade provisória. Em entrevista concedida logo após sua soltura, em abril do mesmo ano, Neis alegou ter agido “instintivamente” para se defender, já que, conforme sua versão, os manifestantes teriam dado socos no seu veículo. Os ciclistas negaram ter iniciado a confusão e afirmaram que tentaram dialogar com Neis antes de ele atropelar o grupo.

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