2 de março de 2024

Frota brasileira de bicicletas atinge 70 milhões de unidades

Estudo encomendado pela Abraciclo revela que, apesar das cifras, venda de bicicletas diminuiu no país nos últimos anos

Uma pesquisa inédita encomendada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) constatou que no Brasil, a atual frota de bicicletas atingiu o patamar de 70 milhões de unidades.

Por outro lado, o estudo O uso de bicicletas no Brasil: Qual o melhor modelo de incentivo?, realizado pela Rosenberg Associados, constatou uma queda acentuada nas vendas de modelos básicos de bicicletas.  – que são modelos mais robustos e baratos, usados principalmente no interior e pela população de baixa renda. Em 2008, o país comercializou 5,5 milhões de unidades. Cinco anos depois, o número caiu para 4,3 milhões.

Uma das explicações é que a redução do IPI em veículos motorizados permitiu à população de baixa renda trocar as bikes por motocicletas, principalmente nas periferias das grandes cidades e interior do país.

“Conforme a renda vai aumentando, a proporção de pessoas que caminham ou usam a bicicleta para ir ao trabalho vai diminuindo”, diz Thais Zara, economista responsável pelo estudo.

Por outro lado, enquanto as bicicletas básicas do interior estão sendo trocadas por motos, surge uma nova parcela da população em busca de modelos para transitar na grande cidade.

Mobilidade Urbana – Com a conclusão do estudo, a Abraciclo pretende reformular suas estratégias de mercado, focando suas vendas em um novo público e em modelos mais elaborados, utilizados para a mobilidade urbana, seguimento que tem apresentado um crescimento expressivo nos últimos anos.

A associação percebeu um crescimento das categorias de maior valor agregado, como bicicletas para recreação, esporte e, mais importante, mobilidade urbana. Somados, este segmento representava 26,6% do mercado em 2006. Em 2013, saltou para 40,6%.

Há cinco anos, o segmento era praticamente inexistente. Hoje, ainda que represente apenas 0,3% do mercado, é o que tem maior potencial para ajudar o trânsito e a vida nas cidades.

Os modelos que se encaixam na categoria mobilidade urbana são desenvolvidos especialmente para o trânsito nas grandes cidades. São leves, com pneus próprios para asfaltos, e adequadas para integração com outros modais de transporte, como o metrô.

Entre as vantagens de usar esse modo de transporte, o estudo cita a agilidade, benefícios para saúde, eficiência energética, menor emissão de poluição e gastos com infraestrutura.

Além disso, tem o menor custo entre os meios de transporte – excluindo caminhadas. O gasto de um automóvel movido a gasolina – o mais caro – é de R$ 0,73 por quilômetro rodado. Já uma bicicleta custa R$ 0,12 na mesma distância.

Incentivos – A partir destas considerações, a pesquisa buscou listar formas para incentivar o uso da bicicleta como transporte urbano.

Já de cara, descarta diminuir o preço ao cortar impostos de importação ou de bens industriais. A pesquisa afirma que a maioria das bicicletas comercializadas no país são produzidos na Zona Franca de Manaus e já estariam isentos do imposto de importação – dos modelos de maior valor agregado, são 750.000 de um total de 1,74 milhão.

Segundo a Abraciclo, o preço da bicicleta, que poderia ser um impeditivo, não seria tão alto assim, já que o valor pago pelo equipamento por aqui caiu 10%, entre julho de 2006 e novembro de 2013. A associação não levou em consideração entretanto, o aumento do dólar no mesmo período, que jogou para cima os valores dos componentes e peças importadas utilizadas na maioria das bicicletas montadas no Brasil.

No Brasil, o preço médio dos 10 modelos mais vendidos é de R$ 730. Já na Alemanha, país onde a população usa muito mais a bicicleta, a média dos 10 modelos mais populares é de R$ 2.300. Na Holanda, o preço gira em torno de R$ 1.985.

Cabe ressaltar que esses valores foram compilados com um câmbio de R$ 2,30/US$, no meio do ano passado.

Segundo a indústria, o incentivo deveria partir do governo, com a criação de políticas públicas, condições adequadas e introdução de uma “cultura da bicicleta”. Aumento das ciclovias e bicicletários foram algumas das medidas citadas na pesquisa.

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