18 de abril de 2024
Ciclovia da Avenida Paulista - Foto: Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas

São Paulo registra aumento de 66% no número de ciclistas em relação a 2015

Pesquisa realizada pelo Ibope e a CET e apresentada nesta última quinta-feira (26) pelo prefeito Fernando Haddad confirma ainda a redução de 34% nas mortes no trânsito envolvendo bicicletas

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou apresentou nesta última quinta-feira (26) uma pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e pela Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) que registrou um aumento de 66% no número de ciclistas na cidade relação a 2015. Os números, apresentados pelo prefeito durante a abertura da Bicicultura, evento que busca divulgar, debater e fomentar a cultura da bicicleta em diversas vertentes.

Na abertura do evento, Haddad divulgou também a redução de 34% nas mortes em acidentes de trânsito envolvendo bicicletas e chegou a comparar a situação dos ciclistas brasileiros similar a dos sem-terras.

“Da mesma maneira que o latifúndio improdutivo produz miséria, fome e exclusão, nosso sistema viário era um latifúndio improdutivo, que produzia morte e exclusão da mesma maneira”, disse o prefeito. Segundo ele, a decisão de um gestor pela construção de ciclovias é, antes de tudo, política. “É uma decisão política de dizer: ‘vou fazer a reforma viária do mesmo jeito que fizeram a reforma agrária'”, disse.

Por outro lado, Haddad afirmou ainda que existe uma vantagem do ciclista nesta comparação. “No caso dos ciclistas, ninguém está retirando a propriedade de um para dar para outro, já que em um único dia você pode ser pedestre, ciclista, usuário de transporte individual motorizado e usuário do transporte público”.

Fernando Haddad - Foto: Bicicultura / Divulgação
Fernando Haddad – Foto: Bicicultura / Divulgação

‘Indústria da multa’ – No mesmo evento, o prefeito de São Paulo disse que a cidade está ‘brigando’ para poder cumprir o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, em referência direta aos questionamentos que o Ministério Público Estadual (MPE) tem feito em relação ao que chama de ‘indústria da multa’ na capital, questionando o uso de recurso das multas de trânsito em investimentos no sistema de transporte público.

“É curioso que, no caso de São Paulo, estamos lutando na Justiça para cumprir a lei federal. Estamos todos sendo processados por improbidade administrativa. Eu, o Tatto (Secretário de Transportes de SP) e o secretário de Finanças. Por quê? ‘Usou o dinheiro de multa para fazer ciclovia? Não pode’. ‘Usou dinheiro de multa para fazer terminal de ônibus? Não está previsto na lei'”, criticou.

Fernando Haddad ironizou ainda a acusação de improbidade administrativa, que consta da denúncia do MPE. “Improbidade administrativa? Neste país, ser preso por fazer terminal de ônibus com o dinheiro das multas será para mim uma honra”, declarou o prefeito.

 

 

Vale ressaltar que as receitas com multas de trânsito na capital paulista tiveram uma queda de 3,3% entre os anos de 2012 e 2015. De acordo com dados do Orçamento Público de São Paulo, o total arrecadado em 2015, em valores atualizados pelo IPCA, foi de R$ 1.052.588.926,82, uma redução de mais de R$ 32 milhões em relação ao registrado em 2012 – quando o total foi de R$ 1.085.158.229,04.

A queda nas receitas com multas nos últimos três anos se torna ainda mais expressiva quando comparada com os números registrados na gestão anterior. Entre 2009 e 2012, a arrecadação com multas subiu 41,28%. O total saltou de R$ 768 milhões, em valores já corrigidos pela inflação, para R$ 1,085 bilhão.

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