16 de julho de 2024

Troca de peças: Como fazer um upgrade coerente na bicicleta

Afinal, o que vale mais a pena: comprar uma bicicleta nova ou melhorar a atual com peças e componentes de melhor qualidade?

Com os altos preços das bicicletas no Brasil, uma das questões que mais intriga os novatos no esporte é a que diz respeito aos upgrades na bike. Afinal, o que vale mais a pena, comprar uma bicicleta mais nova ou melhorar a atual com peças e componentes de melhor qualidade? E no caso da segunda opção, qual o limite de gastos?

Atualmente, muitos fabricantes de bicicletas optam por lançar linhas de bicicletas a partir de um quadro em comum, tendo por diferencial os componentes, que são de melhor qualidade e, via de regra, mais leves e resistentes nos modelos mais caros.

Neste caso o upgrade pode valer a pena, desde que obviamente a bicicleta não saia mais cara que o modelo topo de linha.

Já no caso velhas companheiras de trilhas, é necessário critério na substituição de componentes. Muitas vezes é preferível apenas substituir as peças quebradas ou gastas por um modelo similar do que instalar um componente que ficará “sobrando” em sua bike.

Não há muito sentido em gastar dinheiro na instalação de componentes topo de linha em quadros com mais de três anos de idade. Se a substituição de peças e componentes que você está planejando for acima de 30% do preço total da bike, considere vendê-la ou dá-la como entrada na compra de uma nova bike.

Para ser viável, a substituição de peças e componentes deve ser baseada em 4 fatores:

  • Desgaste natural ou quebra;
  • Redução do peso;
  • Conforto;
  • Aumento da performance.

Muitas pessoas dirão que gastar dinheiro em upgrades caros irá valorizar a bicicleta quando esta for vendida.

A verdade é que em muitos casos isto será pouco levado em consideração na hora da venda. Com a enorme oferta de modelos “zero quilômetro” sendo vendidos em lojas com parcelamentos a perder de vista, poucos compradores irão optar por comprar uma bicicleta usada, ainda que com componentes topo de linha, em detrimento a adquirir uma bike nova por valor similar (ainda que com componentes inferiores), com garantia e parcelada em até 10 vezes sem juros.

Além disso, ao contrário do que possa parecer, uma bicicleta toda original em bom estado de conservação e manutenção, não raras vezes é mais valorizada do que aquela bike com componentes topo de linha, porém em mal estado de conservação.

Partindo deste princípio, é fácil perceber que o melhor upgrade é aquele que possua uma boa relação custo x benefício. Mas por onde deveremos começar a melhorar nossa bicicleta?

A maioria dos experts no assunto concorda que o melhor lugar para se começar a reduzir o peso da bike é nas rodas, já que o peso rotacional influencia muito mais na dirigibilidade da bicicleta que os chamados pesos estáticos.

Pneus e câmaras de ar

Michelin Wild Racer Ultimate

Embora a substituição total das rodas possa fazer uma diferença gritante no peso final da bike, via de regra trata-se de um upgrade caro. Sendo assim, a melhor maneira de se reduzir peso rotacional é através da substituição do conjunto pneus/câmaras de ar.

Atualmente, um bom pneu para mountain bike pode chegar a pesar 605g, como o modelo Michelin Wild Racer Ultimate 29 x 2.0 (Tubeless), contra cerca de 1kg de um pneu comum que equipa bicicletas de preço intermediário de mercado.

O peso total das rodas poderá ser reduzido ainda mais com a utilização de câmaras de ar baixo peso ou mesmo a substituição das mesmas por um kit de conversão tubeless.

Custo estimado do upgrade: Cerca de 175,95 reais (pneus); 250 reais (kit de conversão para tubeless).

Selim

Selle Italia Bobcat Most

Como vimos anteriormente, a diminuição do peso total da bike não é o único fator determinante para o upgrade. Conforto e performance farão uma grande diferença na hora de pedalar.

Entre todos os componentes de uma bicicleta, nenhum possui uma escolha tão pessoal quanto o selim. Um selim confortável para uns poderá parecer desconfortável para outros, independente de seu valor financeiro.

Antes de colocar a mão no bolso, verifique se o desconforto de seu atual selim não é causado por um ajuste mal feito. Confira se o selim está com os trilhos na posição horizontal e se os mesmos encontram-se na distância correta em relação ao tubo do selim. A altura do canote deverá estar perfeitamente ajustada em relação ao cavalo do ciclista.

Se mesmo assim ainda nota-se desconforto, talvez seja o caso de se trocar o selim.

Esqueça a tentação de adquirir o selim mais leve do mercado. Procure por selins que possuam largura suficiente para acomodar os ossos ísquios de sua bacia de maneira confortável.

Uma boa opção de selim com trilhos em manganês é o Selle Italia Bobcat Most. Pesando apenas 234 gramas, o modelo pode ser adquirido por apenas R$ 349,90. Já modelos mais sofisticados, com trilhos em titânio ou carbono, podem ultrapassar facilmente os 1000 reais.

Guidão

Deda Condor 35 Carbon

Com o advento dos formatos maiores de rodas (aros 27.5 e 29 polegadas), muitos fabricantes passaram a disponibilizar em suas bicicletas guidões mais largos, deixando as bikes mais manobráveis. Entretanto, nem todos os modelos disponibilizados são de fato leves.

Se você possui ombros estreitos, considere serrar um ou dois centímetros do guidão. Além de deixá-lo mais confortável, diminuirá alguns gramas do peso total da bike sem gastar dinheiro.

ATENÇÃO!!! Jamais corte o guidão em um comprimento igual ou inferior a da largura de seus ombros!

Caso seu guidão seja muito pesado, substitua-o por um modelo mais leve de marca confiável, como o Deda Condor 35 Carbon, que custa 639,90 reais.

Pedais

Pedal Shimano Deore PD-M520
Pedal Shimano Deore PD-M520

A substituição dos pedais plataforma pelos de encaixe ou clipless é considerada como divisor de águas entre os neófitos do mountain bike, quando estes superam seus medos e investem em um aumento substancial na performance da pedalada.

Embora esta substituição seja realizada prioritariamente pelo aumento na eficiência, é possível diminuir algumas ‘gordurinhas’ da bike aqui também.

Por cerca de 279,90 reais é possível adquirir um par de pedais Shimano Deore PD-M520, que pesam 380 gramas o par.

Amortecedor dianteiro

SR Suntour XCT HLO

Embora a substituição de um amortecedor dianteiro, ao contrário dos itens anteriores, envolva muito mais dinheiro, uma coisa é inegável: uma nova suspensão fará uma enorme diferença no que diz respeito ao conforto e a performance.

A grande maioria dos amortecedores que equipam as linhas intermediárias de bicicletas mountain bikes é do tipo mola/óleo. Estes amortecedores são baratos, robustos e de fácil manutenção. Por outro lado possuem poucas opções de ajustes, não possuem uma boa resposta em relação ao terreno e são pesados.

A substituição por um modelo a ar permitirá um ajuste personalizado de acordo com o peso e o posicionamento do ciclista, além do tipo de terreno. Além disso, amortecedores pneumáticos podem chegar a ser 1kg mais leves que os de acionamento por mola metálica.

Uma boa opção custo x benefício é o modelo XCT HLO, da marca SR Suntour. Este amortecedor, que utiliza o sistema mola-óleo, possui 100mm de curso e sistema de bloqueio (trava) hidráulico,  custa cerca de 499,99 reais.

Dicas importantes

  • Muitos componentes topo de linha possuem limitação de peso do ciclista. Antes de adquirir aquele caríssimo jogo de rodas de fibra de carbono, procure saber se eles foram feitos para aguentar os ‘quilinhos’ extras do ciclista…;
  • Ao contrário do que possa parecer, componentes de competição topo de linha não são necessariamente mais duráveis que os modelos recreacionais, pois priorizam a performance e a leveza em detrimento à durabilidade;
  • Evite alterações bruscas na geometria do quadro. Evite a qualquer custo a tentação de substituir o amortecedor original de 100mm de curso por um de 180mm, por exemplo;
  •  O mesmo vale para o posicionamento do ciclista. Na dúvida, antes de substituir o selim, guidão, mesa, canote ou pedivela, consulte um profissional de Bike Fit.
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