16 de junho de 2024

Alpe D’Huez – Uma luta entre a dúvida e o sonho

Por Taís Morais*

Era apenas um sonho. Um sonho daqueles que temos acordados. Para mim, que sempre amei o ciclismo, era, na verdade, quase uma obsessão. Conhecer, pedalando, as montanhas que meus ciclistas favoritos venciam a cada ano no Tour de France, me parecia um plano muito distante. Mas para usar um velho jargão, “quem espera e trabalha por um sonho, sempre alcança. E dessa espera surgiu a minha realidade hoje.

Escalei o Alpe D’Huez de bicicleta! Mas para o relato ficar inteiro, preciso contar sobre a emoção que me assolou desde ontem, quando avistei os Alpes franceses.

Foto: Sylvio GuedesNão foi a primeira vez que os vi, mas com certeza foi a primeira e inesquecível vez que os enxerguei como um desafio. Pela primeira vez nessa viagem meus olhos se encheram de lágrimas. Foi uma emoção indescritível dar de cara com aquelas paredes nevadas sabendo que no dia seguinte eu ia pegar uma bike e subir, fizesse chuva ou sol. Fiz de carro o reconhecimento do percurso. Meu coração batia forte e tremia ao mesmo tempo. Será que vou conseguir?

A pergunta martelava minha mente e tinha apenas uma certeza: iria tentar zerar a montanha sem nenhum descanso.

Acordei cedo, peguei minhas coisas já preparadas, tomei café no hotel de Grenoble e saí. Para minha alegria, o céu estava limpo, apesar da previsão de chuva e tempo nublado. Já me deu outro ânimo para encarar os 3 graus Celsius lá de fora…

Segui para Bourg d’Oisans, região que possui 39 picos com mais de 3 mil metros de altitude. Aluguei a bicicleta, uma KTM Carbon – na loja de um francês com nome italiano – Gian Carlo Frasca. Eu não conhecia a bike, mas andei e aprovei.

4 km separavam o belo vilarejo alpino da minha montanha. Então, segui meu caminho. O vento gelado das dez da manhã batia no meu rosto e zunia na minha orelha me fazendo tremer de emoção e frio, claro! Mas o congelamento da boca e nariz não durou muito, logo comecei a subida e o calor foi tomando conta.

Sobre a autora

Taís Morais é mãe, jornalista, escritora, biciclopata e ciclista. Nas horas vagas é observadora das coisas da vida. Chocólatra por natureza.
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