21 de fevereiro de 2024

O que precisamos saber antes de comprar um freio a disco

Antes de aposentar seus velhos freios v-brake e substituí-los por um par de freios a disco, é conveniente sanar algumas dúvidas para fazer a escolha certa

Meu orçamento só dá para comprar um único freio. Devo instalar o mesmo na roda da frente ou na de trás?
Na frente. Durante a frenagem, a inércia desloca o peso da bicicleta para a roda dianteira e é lá que devemos ter uma maior capacidade de retenção. Esse mesmo deslocamento de massa para a roda da frente acaba por liberar o peso da roda traseira, favorecendo sua derrapagem (é por este mesmo motivo que devemos ignorar solenemente aqueles ‘amigos’ que te dizem para não usar o freio da frente nas descidas!).

Freio hidráulico ou mecânico?
Hidráulico, sempre que possível! Via de regra, os freios hidráulicos gozam de maior poder de frenagem (com exceção do freio Avid BB7, mais potente que muitos hidráulicos do mercado), melhor modulação e confiabilidade, já que por tratar-se de um sistema selado, não há risco de que o acionamento seja prejudicado por cabos ou conduítes sujos de terra ou mal lubrificados. A manutenção, embora trabalhosa, não é tão frequente como nos modelos mecânicos.

Ashima rotorsQue diâmetro de disco necessito, 160, 180 ou 203 mm? 
Um maior diâmetro do rotor ou disco de freio significa maior capacidade de desaceleração, dependendo do uso que se faça da bicicleta. Para utilização regular em cross country, rotores de 160mm dão conta do recado perfeitamente (em bikes aro 29, um rotor de 180mm na roda da frente pode ser uma opção interessante). Para all mountain, enduro ou freeride leve, utilize discos de 180mm. Já no caso de freeride extremo ou downhill, considere a utilização de rotores de 203mm ou mais (as marcas Magura e Formula oferecem a opção de discos com 210 e 220mm respectivamente).

Como desvantagem, os rotores de freio de maior diâmetro empenam mais facilmente, causando arrasto nas pastilhas.

Sistema de montagem Post Mount ou IS? 
Nos freios com montagem do tipo Post Mount, os parafusos de fixação ficam perpendiculares ao cubo da roda. Assim, as torções da roda provenientes da frenagem coincidem melhor com a linha dos parafusos, dissipando-se de maneira mais eficiente. Outra vantagem é que o ajuste da pinça do freio é facilitada graças aos orifícios ovais, que permitem movê-la lateralmente para alinhá-la com o disco de freio.

Pastilhas orgânicas ou sinterizadas?
Isto vai depender do terreno, da utilização e de fatores climáticos. As pastilhas orgânicas são mais macias e com boas características de frenagem em tempo seco. Também funcionam razoavelmente bem na chuva, mas tendem a se desgastar mais rapidamente. As pastilhas sinterizadas utilizam um componente metálico em sua composição, que as tornam mais duradouras, e resistentes. É no tempo úmido que seu uso se torna mais vantajoso. No seco, são por demais abrasivas e possuem maior dificuldade em dissipar o calor. Se utilizadas com discos de baixa qualidade ou pouco espessos, podem deformá-los. Além disso, pastilhas sinterizadas costumam ser mais ruidosas do que as orgânicas.

ShimanoÓleo mineral ou DOT? 
O eterno dilema entre os fabricantes! Alguns defendem o fluido DOT pelo seu maior ponto de ebulição e, por consequência, menor transmissão de calor (o calor excessivo pode fazer o freio cair drasticamente de rendimento). Por outro lado, os fluidos DOT são altamente corrosivos, podendo estragar a pintura de sua bike e causar irritações na pele. Além disso, absorve umidade do ar, ou seja, com o tempo forma pequenas gotas de água em sua composição, sendo então necessária a sua troca. Dos vários tipos de fluido DOT que existem no mercado, o DOT5.1 é o mais moderno e eficiente.

Já o óleo mineral é mais propenso a variações de temperatura, dilatando-se sensivelmente mais que o fluido DOT (por isto que os depósitos de óleo próximo às manetes necessitam ser mais volumosos nos freios que utilizam óleo mineral). Em compensação, o produto não é corrosivo nem tóxico, além de não absorver água.

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