22 de junho de 2024

Desvendando os mistérios dos pedais de encaixe

Até o fim dos anos 80, a escolha entre pedais se limitava aos do tipo plataforma e as chamadas pedaleiras, que utilizavam um clip em forma de “U” onde o pé do ciclista se encaixava. Tiras ajustáveis mantinham o pé preso ao pedal. Esse sistema, embora mais eficiente na pedalada em relação ao pedal de plataforma, apresentava muitas desvantagens. Precisavam ser ajustadas manualmente, além de eventualmente prenderem o pé do ciclista a ponto de provocar quedas graves.

OClipless sistema de pedal de encaixe do tipo clipless utiliza um mecanismo similar ao engate utilizado em esquis de neve. Não por coincidência, o primeiro sistema clipless para bikes foi desenvolvido pela francesa Look, um fabricante de esquis e snowboards, além de componentes para bicicletas. Os pedais clipless modernos utilizam um taquinho, composto por metal ou plástico, que é aparafusado no fundo da sapatilha. Quando o ciclista pisa com a sapatilha no pedal, o taquinho trava no mecanismo do pedal, mantendo-se firmemente no local. alguns sistemas mantém o pé em um ângulo fixo enquanto outros permitem um leve movimento angular do pé.

Na maioria dos sistemas de pedal de encaixe, o pé do ciclista destrava da sapatilha ao torcê-lo com o calcanhar para fora. Em alguns modelos “jurássicos”, como os feitos pela italiana Cinelli, necessitavam que o ciclista liberasse o mecanismo manualmente através de um botão. Este sistema, de tão inseguro para o ciclista, acabou sendo apelidado jocosamente de “Pedal da Morte”.

O pedal de encaixe tem, de cada um dos seus lados, presilhas que funcionam sob a ação de molas. A maioria dos pedais permite o ajuste da tensão da mola, para maior ou menor firmeza. Nos pedais da Shimano, há um pequeno parafuso allen que, girado no sentido horário, faz com que a presilha prenda o taco com mais força e no sentido anti-horário tenha o encaixe facilitado. Para o iniciante, recomenda-se que a regulagem esteja na tensão mínima, facilitando assim o engate e o desengate. Ciclistas mais experientes preferem utilizar um engate mais firme, evitando assim que a sapatilha desengate durante a pedalada.

CliplessCompatibilidade – Em tese, a compatibilidade entre sapatilhas e pedais clipless deveria ser total. Em algumas raras vezes, entretanto, encontramos problemas de compatibilidade.

A marca Shimano possui uma grande vantagem nesta área em relação aos seus concorrentes. Como ela foi pioneira no desenvolvimento de pedais de encaixe, a maioria dos fabricantes desenham os solados de suas sapatilhas em função dos pedais Shimano.

Além disso, o sistema de pedal de encaixe SPD (Shimano Pedal System) é o mais utilizado no mundo, com cerca de 70% da fatia do mercado, seguido à distância pelas marcas Crankbrothers, Look e Time, nesta ordem.

Esta é a razão pela qual os pedais da Shimano não costuma apresentar problemas de compatibilidade com as sapatilhas. Eventualmente, outras marcas podem apresentar problemas, como por exemplo, a sola da sapatilha não conseguir apoiar completamente no pedal (como na foto a direita), ou a contrário, que o taquinho esteja tão para dentro do solado que seja impossível encaixá-lo no pedal. Nestes último caso, podem ser adicionados calços entre o solado da sapatilha e o taquinho (as marcas Look e CrankBrothers fornecem os calços, juntamente com seus pedais), No primeiro caso, a solução é mais drástica: recortar ligeiramente com um estilete parte dos cravos do solado da sapatilha próximos ao taquinho.

Modelos

O mercado de pedais clipless tem espaço para uma infinidade de marcas e modelos, todas com suas vantagens e desvantagens. Além disso, o sistema de encaixe pode variar de fabricante para fabricante, embora muitos deles acabem por utilizar o sistema SPD da Shimano. A grande vantagem deste sistema é a facilidade de se encontrar peças de reposição, como taquinhos, a preços mais baixos que os da concorrência que utilizam sistemas proprietários. Conheça alguns destes sistemas:

Pedal Shimano M-980 (XTR). Em primeiro plano, o parafuso de ajuste de tensão das molasSPD – Como já citado anteriormente, os pedais Shimano (SPD) possuem grande aceitação no mercado. Possuem custo acessível (pelo menos ao que se refere aos modelos de entrada), baixa manutenção e alta durabilidade.

Seu sistema de regulagem de tensão é de fácil utilização, facilitando a vida dos novatos. Basta utilizar uma chave allen para aumentar ou diminuir a tensão das molas da presilha.

Além disso, vários fabricantes utilizam a tecnologia SPD, como a Ritchey, a Exustar e a Wellgo, o que significa uma maior variedade de modelos e preços.

EggbeatterEgg Beater  – O sistema desenvolvido pelo fabricante norte americano CrankBrothers é um sonho de consumo de muitos ciclistas. Leve e minimalista, seu sistema permite que, ao contrário dos modelos concorrentes, possa se clipado mais rapidamente, já que possui quatro posições de engate e não apenas duas.

Por outro lado, são mais caros se comparados aos pedais SPD. Além disso, devido ao fato de utilizarem rolamentos de pequenas dimensões, podem apresentar folga depois de algum tempo, principalmente se o ciclista pesar mais que 85kg.

Os taquinhos, feitos de latão ao invés de aço, são mais macios, resultando em um melhor encaixe e desclipagem mas, por outro lado, desgastam-se mais facilmente do que os taquinhos da SPD, feitos em aço.

Time ATACATAC (Auto Tension Adjustment Concept) – O sistema desenvolvido pela marca francesa Time surgiu no início da década de 90 como alternativa aos problemas comuns à maioria dos pedais de encaixe da época: peso excessivo e problemas com o acúmulo de lama e terra, que dificultavam o encaixe e o desengate. Ao contrário da maioria dos sistemas concorrentes, este pedal não só permite um ângulo de movimento dos pés do ciclistas (5º), como também possui movimento lateral (6mm para cada lado), o que é excelente para ciclistas com problemas nos joelhos, que sente dores no mesmo após uma pedalada de vários quilômetros com os pés na mesma.

Os modelos topo de linha da Time possuem o corpo em fibra de carbono e eixo em titânio, tornando-os os mais leves e robustos (além de caros!) pedais do mercado.

Dicas para  utilização de pedais de encaixe

  • Evite lubrificantes do tipo wet nos pedais, pois eles podem acumular sujeira e detritos. Dê preferência para lubrificantes a base de cera, como o Squirt ou um lubrificante formulado especialmente para pedais, como o  Pedal & Cleat Lubricant, da norte-americana Finish Line, que não acumulam terra. Pingue uma gota em cada mola do pedal;
  • Os taquinhos possuem vida útil que está diretamente relacionada com o seu uso. Troque-os sempre que perceber que os mesmos não estão retendo a sapatilha no pedal como deveriam. Fatores como caminhar com a sapatilha e falta de lubrificação no sistema de engate do pedal contribuem para seu desgaste prematuro;
  • Uma boa prática ao instalar novos taquinhos na sapatilha é após aparafusá-los no local correto, pingar uma gota de cola de silicone na cabeça de cada parafuso, vedando o orifício de aperto. Assim, você o protege de danos, facilitando sua remoção posteriormente. Além disso, é recomendada a utilização de trava-roscas na fixação dos parafusos do taquinho, o que evitará o risco de sobreaperto;
  • Pedais, como a maioria dos componentes de uma bicicleta, são itens de precisão. Ao instalar os mesmo, jamais aperte-os excessivamente no pedivela ou haverá o risco de estragar tanto este quanto os pedais. E não se esqueça de engraxar a rosca do pedal antes da instalação, para evitar problemas futuros;
  • Muitos pedais topo de linha possuem eixo em titânio. Isto quer dizer que, apesar de serem extremamente caros, são também muito leves. O que não costuma aparecer nas ‘entrelinhas’ das propagandas é que eixos de titânio possuem uma capacidade de carga máxima muito inferior ao aço, não sendo recomendados para ciclistas com mais de 85kg. Na dúvida, procure informações no site do fabricante.
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