12 de junho de 2024

A ‘anatomia’ de uma (verdadeira) revisão para bicicletas

A bicicleta é uma máquina que expõe boa parte de seus componentes à ação de intempéries, água, areia poeira, lama e, em alguns casos, maresia. Guardá-la nesse estado não é nada aconselhável, pois isto pode deteriorar componentes por oxidação como, por exemplo, correntes, esferas e rolamentos.

A frequência ideal para se fazer uma revisão é algo difícil de determinar, pois vai depender das condições da bike. Trilhas com muita lama e água, pedaladas em tempo chuvoso podem deixar sua bike fora de combate para o próximo pedal e encurtar significativamente o prazo par manutenção.

Via de regra, as oficinas de Brasília oferecem pelo menos dois tipos de revisão diferenciadas:

Lavagem básica – Eufemisticamente chamada de ‘meia revisão’, trata-se da lavagem da bicicleta sem sua desmontagem (no máximo, são retiradas as rodas). Após o processo de lavagem e secagem, são lubrificados itens como corrente e cabos. Segue-se uma regulagem básica do câmbio e, em alguns casos, alinhamento de rodas.

Veredito: Quebra o galho e deixa sua bike com uma boa aparência, mas não substitui a verdadeira revisão.

Revisão completa – Inicia-se necessariamente pela desmontagem completa da bike, com retirada do canote do selim. Além disso, uma boa revisão deverá englobar:

A utilização de ferramental apropriado e lubrificantes de boa qualidade é fundamental para o sucesso de uma revisão
A utilização de ferramental apropriado e lubrificantes de boa qualidade é fundamental para o sucesso de uma revisão
  • Corrente;
  • Cassete;
  • Canote;
  • Pedivela;
  • Caixa de direção;
  • Freios;
  • Câmbios;
  • Movimento central;
  • Cabos;
  • Conduítes;
  • Cubo da roda (no caso de cubos que utilizam esferas).

Limpeza – Nesta etapa, a utilização de detergente neutro biodegradável, além de não agredir o meio ambiente, preserva os componentes de borracha, carbono, pastilhas de freios e pintura. Evite a todo custo diesel, querosene e outras substâncias derivadas de petróleo. Deverão ser devidamente limpos os seguintes componentes:

  • Quadro (interna e externamente);
  • Rodas;
  • Pneus;
  • Freios;
  • Canote;
  • Pedivela;
  • Movimento central;
  • Caixa de direção;
  • Drenagem da água acumulada em cima do movimento central;
  • Outros componentes.

Existe um hábito que pessoalmente considero asqueroso que é a lavagem do quadro sem a retirada do canote. Ou seja, a sujeira fica toda dentro do quadro. Alguns mecânicos alegam que é para não comprometer o ajuste da altura do canote e o cliente reclamar… Pura preguiça!!! Já ouviram falar em caneta hidrocor? Basta marcar o canote…

Uma das etapas da revisão é o alinhamento das rodas - Foto: Glaucio Dettmar / MTB Brasília
Uma das etapas da revisão é o alinhamento das rodas – Foto: Glaucio Dettmar/Cycling Bike Shop

Montagem e regulagem – Após o processo de desmontagem, limpeza e secagem, vem a parte mais importante da revisão. Trata-se da correta montagem e regulagem, além da conferência dos componentes e do quadro. Nesta etapa são identificados problemas como rachaduras e empenos no quadro, componentes danificados ou desgastados.

Esta etapa envolve (ou deveria envolver!):

  • Tratamento de cera no quadro, para manter a pintura protegida do sol, suor e maresia (recomendado!).
  • Montagem das peças limpas
  • Recolocação dos conduítes com lubrificação dos cabos de aço com produtos especiais;
  • Checagem dos componentes para averiguação de avarias e ou desgaste que necessitem substituição das peças;
  • Recolocação dos pneus e alinhamento e câmara de ar, com verificação da fita de aro;
  • No caso de uso de pneus tubeless (sem câmara de ar) com selante, é verificada as condições da válvula da roda e do nível do selante que, se necessário será reposto;
  • Alinhamento de rodas;
  • Checagem da tensão dos raios;
  • Regulagem de câmbios;
  • Regulagem de freios;
  • Engraxamento dos rolamentos do movimento central;
  • Aperto de todos os parafusos (com torquímetro);
  • Calibragem dos pneus;
  • Calibragem dos amortecedores;
  • Regulagem da altura das manetes dos freios (de acordo com preferência do cliente);
  • Teste drive realizado pelo mecânico na rua e check list para verificação da qualidade do serviço.
A tal "graxa especial" deveria ser regra, não exceção
A tal “graxa especial” deveria ser regra, não exceção

Uma questão muito importante na hora de se procurar por serviços de mecânica de bicicletas. Além de profissionais qualificados e, preferencialmente certificados, a utilização de ferramental apropriado e lubrificantes de boa qualidade é fundamental para o sucesso de uma revisão.

Uma das coisas que mais me irritam em uma oficina mecânica é a tal oferta de “revisão diferenciada com graxa especial” (não preciso citar a marca, né?). Em uma boa oficina mecânica só deveria entrar graxa especial, oras!!!

Bike log – Recomenda-se ao usuário ou ao mecânico de confiança do mesmo a criação de uma planilha de manutenção contendo dados como:

  • Data da última revisão
  • Data de troca de peças e/ou componentes
  • Pressão dos pneus;
  • Pressão dos amortecedores;
  • Altura dos manetes de freios;
  • Dados completos do bike fit;
  • Quilometragem do ciclocomputador

Sobre o autor

André Ramos é editor do website MTB Brasília
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