17 de junho de 2024
BSB Tri Bike
Foto: Harysson Gomes / BSB Tri Bike

Volume de vendas de bicicletas em lojas do Brasil recua 15% em 2023

Para a Aliança Bike, queda no volume total de vendas explica-se pela maior demanda por bicicletas de maior valor agregado, em detrimento aos modelos mais acessíveis

Segundo a atual tendência mundial, o mercado brasileiro de bicicletas vive um momento desafiador nos últimos dois anos. Em levantamento realizado pela Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas) junto à proprietários de bike shops de todo o país, os números apontam para uma queda de 15% na quantidade de unidades vendidas em 2023 em relação ao ano anterior.

De acordo com a Aliança Bike, a queda no volume total de vendas se explica pelo aumento na demanda de serviços e de bicicletas de maior valor agregado, em detrimento aos modelos mais baratos e populares — o que não indica necessariamente prejuízo para o setor.

Por outro lado, a pesquisa — que não levou em consideração as vendas realizadas por magazines varejistas e marketplaces como o Mercado Livre, Amazon e outros — indicou uma retração de 7% no faturamento das lojas em comparação com o ano passado.

É importante considerar que as vendas de bicicletas no Brasil tiveram números recordes no biênio 2020-2021, quando chegou a 6 milhões de unidades. Nos dois últimos anos entretanto, o cenário foi desafiador, com diversos contratempos em relação ao estoque e queda na demanda.

Confira abaixo a estimativa dos últimos anos em números absolutos.

Estimativas de vendas no comércio varejista de bicicletas nos últimos anos*

Em milhões de unidades

*Baseado no monitoramento da Aliança Bike com lojistas e nos dados de produção, montagem e importação de bicicletas e componentes. A estimativa contempla bicicletas novas e usadas.

De acordo com a pesquisa, o recuo nas vendas em 2023 se deu principalmente nas chamadas bicicletas de entrada (de R$ 800,00 a R$ 2.000,00) e no primeiro segmento das intermediárias (entre R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00), segmento que mais teve maior aumento nas vendas durante o período da pandemia.

“Os últimos dois anos foram de muitas dificuldades e reflexões para o nosso setor. A queda em 2023 é uma realidade, mas foi menor do que aconteceu de 2021 para 2022. A análise que fazemos é de que a tendência é que 2024 seja um ano melhor do que foi o ano passado, que possa ser o início de uma reversão neste cenário”, explica Rodrigo Coelho, presidente do Conselho Deliberativo da Aliança Bike.

Expectativas para a economia – No levantamento da Aliança Bike, os lojistas também foram perguntados sobre a situação econômica do Brasil e as expectativas para 2024 considerando a realidade da própria loja. Sobre a situação econômica do Brasil, 46,1% dos lojistas estão pessimistas, acreditando que a economia deve piorar. Já 25,5% acreditam que a economia vai melhorar e 28,4% acreditam que a economia ficará na mesma.

Quando questionados sobre a expectativa para a situação financeira da própria loja, lojistas se mostraram mais otimistas: 47,1% acreditam que a situação financeira da loja irá melhorar, enquanto 20,6% acreditam que irá piorar. E, para 32,4%, a expectativa é que a situação financeira em 2024 permaneça igual.

A visão para o mercado em 2024 – Para a Aliança Bike, A expectativa para 2024 não é necessariamente de um ano extremamente positivo, mas de recuperação econômica no setor de bicicletas e reversão da curva – de decrescente para ascendente. Um dos indicativos é que a queda em 2023 foi menor do que a observada em 2022 e que o faturamento das lojas recuou menos do que o volume de bicicletas vendidas. Isso revela a resiliência do setor e uma base maior de ciclistas consumindo serviços, acessórios e equipamentos.

No entendimento da Aliança Bike, os números de 2020 e 2021 tiveram um crescimento fora da curva, não só no Brasil.

“Considerando um certo padrão de consumo, podemos dizer que muitas pessoas compraram bicicletas novas pela válvula de escape de pandemia ou anteciparam a compra ou troca da bicicleta, no caso de ciclistas contumazes”, afirma Daniel Guth, diretor executivo da Aliança Bike. Este fato acabou gerando alguns desafios – especialmente em relação à capacidade de oferta e gestão dos estoques tanto durante quanto após a pandemia. E, aos poucos, o mercado nacional vem se regulando para patamares que sejam mais sustentáveis em toda a cadeia.

“Estes desafios em relação aos estoques ainda existem. Mas podemos vislumbrar um segundo semestre melhor do que o primeiro, o que nos levará a um 2024 melhor do que o ano passado”, afirma Rodrigo Coelho.

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