21 de fevereiro de 2024
Fábrica da OX Bikes na Zona Franca de Manaus - Foto: Divulgação / Abraciclo
Fábrica da OX Bikes na Zona Franca de Manaus - Foto: Divulgação / Abraciclo

Produção de bicicletas no Brasil sofre queda de 20% em relação ao ano passado

Impactada pela falta de insumos, produção total de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) deve fechar o ano em 736 mil unidades, contra 919.924 unidades produzidas em 2019

A produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM) totalizou 89.209 unidades em setembro. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – Abraciclo, esse volume é 39,6% superior ao registrado em agosto do presente ano (63.908 unidades). Em relação a setembro do ano passado (110.895 unidades), foi registrada uma queda de 19,6%.

Foto: André Ramos – MTB Brasília

No acumulado de janeiro a setembro, foram fabricadas 463.894 bicicletas, correspondendo a uma retração de 34,1% na comparação com o mesmo período de 2019 (703.739 unidades).

“Todas as fabricantes instaladas no Polo de Manaus estão trabalhando a plena capacidade para atender à demanda por bicicletas, que tem crescido a cada dia por conta do incentivo ao seu uso como alternativa segura de mobilidade durante a pandemia. No entanto, estamos limitados pela falta de insumos. Mesmo se esforçando muito, os fornecedores globais não têm condições de atender aos pedidos”, explica Cyro Gazola, vice-presidente do segmento de Bicicletas da Abraciclo.

Processo de encaixe da tubulação para a operação de ponteamento – Foto: André Ramos / MTB Brasília

Os principais insumos em falta para a produção são sistemas de freios, sistemas de transmissões, suspensões (dianteira e traseira, dependendo do tipo de bike/quadro) e selins, nessa ordem.

Gazola destaca ainda o crescimento da demanda de forma contínua durante o ano. “Setembro foi o mês com o melhor resultado em produção de bicicletas em 2020”, finaliza.

Diante desse cenário a Abraciclo revisou suas projeções para 2020. A nova estimativa é produzir ao todo em 2020 736.000 bicicletas, que representaria retração de 20% na comparação com 2019 (919.924 unidades). A estimativa anterior, apresentada em janeiro, no período pré-pandemia, era de 987.000 mil unidades.

Projeções para 2020

Categorias Realizado
2019

Projeção
2020
Revisão
Projeção
2020
Variação
Revisão projeção 2020/
1ª Projeção 2020
Variação
Revisão projeção 2020/
Realizado 2019
MTB 436.795 456.000 405.000 -11,2%
(-51.000)
-7,3%
(-31.795)
Urbana / Lazer 337.849 355.000 225.000 -36,6%
(-130.000)
-33,4%
(-112.849)
Elétrica 2.958 11.000 8.000 -27,3%
(-3.000)
170,5%
(+5.042)
Estrada 9.102 11.000 10.000 -9,1%
(-1.000)
9,9%
(+898)
Infanto-Juvenil 133.220 154.000 88.000 -42,9%
(-66.000)
-33,9%
(-45.220)
Total 919.924 987.000 736.000 -25,4%
(-251.000)
-20%
(-183.924)

Fonte: Associadas da Abraciclo

Na avaliação do vice-presidente, o equilíbrio entre a produção e a demanda deverá acontecer a partir do próximo ano. “Toda a cadeia está se ajustando à nova realidade. Isso, no entanto, requer tempo e planejamento”, enfatiza.

Resultados por categoria – Em setembro, a categoria Elétrica teve o maior aumento percentual. Foram fabricadas 397 unidades ante as 13 registradas em agosto. Na comparação com o mesmo mês do ano passado (409 unidades), houve queda de 2,9%.

Linha de produção da Audax / Huston em Manaus – Foto: André Ramos / MTB Brasília

Em números absolutos, a Mountain Bike (MTB) foi a mais produzida, com 43.567 bicicletas. Esse volume é 38,3% superior que o registrado em agosto (31.509 unidades) e 0,2% maior que setembro de 2019 (43.471 unidades).

Comparativo de produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus por categorias (mensal)

Categorias Set/19 Ago/20 Set/20 (Set/20) / (Set/19) (Set/20) / (Ago/20)
MTB 43.471 31.509 43.567 0,2% 38,3%
Urbana / Lazer 47.204 19.876 32.588 -31,0% 64,0%
Elétrica 409 13 397 -2,9% 2.953,8%
Estrada 1.039 1.017 558 -46,3% -45,1%
Infanto-Juvenil 18.772 11.493 12.099 -35,5% 5,3%
TOTAL 110.895 63.908 89.209 -19,6% 39,6%

Fonte: Associadas da Abraciclo

No acumulado do ano, a categoria mais produzida foi a MTB com 252.257 unidades e 54,4% de participação. A Urbana/Lazer ficou em segundo lugar (157.247 unidades e 33,9% de participação). Na sequência vieram Infanto-juvenil (43.980 unidades e 9,5% de participação), Estrada (7.081 unidades e 1,5% de participação) e Elétrica (3.329 unidades e 0,7% de participação).

Distribuição por região – Com 42.754 unidades, a região Sudeste foi a que mais recebeu bicicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus. Esse volume representa aumento de 31,5% na comparação com agosto (32.513 unidades) e queda de 26,5% em relação ao mesmo mês do ano passado (58.174 unidades).

Em segundo lugar, ficou a região Sul, com 22.613 bicicletas. O volume é 98,1% superior ao registrado em agosto do presente ano (11.413 unidades) e de 3,3% na comparação com setembro de 2019 (21.897 unidades).

Brasagem dos suportes de conduítes – Foto: André Ramos / MTB Brasília

Na sequência, veio a região Nordeste, com 15.130 bicicletas, o que corresponde a uma alta de 29,4% na comparação com agosto (11.692 unidades) e queda de 5,4% em relação a setembro de 2019 (15.999 unidades).

A região Centro-Oeste recebeu 4.610 unidades e ficou em quarto lugar. Esse volume é 5,7% superior ao registrado em agosto (4.360 unidades) e 8,7% menor ante as 5.049 unidades enviadas em setembro do ano passado.

Em seguida, ficou a região Norte com 4.102 unidades. Na comparação com agosto, houve alta de 4,4% (3.930 unidades). Em relação a setembro de 2019 (9.776 unidades), a retração foi de 58%.

A região Sudeste também liderou o ranking de distribuição no acumulado do ano, com 243.529 bicicletas recebidas e 52,5% do total distribuído. Em segundo, ficou a região Sul (90.158 unidades e 19,4% do volume total). Na sequência, vieram as regiões Nordeste (73.599 unidades e 15,9%), Centro-Oeste (31.812 unidades e 6,9%) e Norte (24.796 unidades e 5,3%).

Importação e exportação – Em setembro, segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados pela Abraciclo, a importação de bicicletas totalizou 6.819 unidades em todo território nacional. Esse volume é 11,5% inferior ao registrado em agosto (7.705 unidades) e 19,5% maior em relação a setembro do ano passado (5.704 unidades).

O maior volume de bicicletas veio do continente asiático. A China foi o principal parceiro comercial, com 4.107 unidades e 60,2% do total importado). Na sequência, vieram Taiwan (1.646 unidades e 24,1% do volume importado) e Vietnã (990 unidades e 14,5%).

No acumulado do ano, as importações somaram 42.801 bicicletas, retração de 1,6% na comparação com o mesmo período de 2019 (43.497 unidades).

As posições no ranking no acumulado do ano foram mantidas: China (30.340 unidades e 70,9% do volume total importado), Vietnã (7.077 unidades e 16,5%) e Taiwan (2.754 unidades e 6,4%).

Ainda de acordo com os dados do portal Comex Stat analisados pela Abraciclo, em setembro, foram exportadas, em todo o território nacional, 876 bicicletas, queda de 71,8% na comparação com agosto do presente ano (3.103 unidades). Em setembro do ano passado não houve embarque de bicicletas.

Com 729 unidades e 83,2% do volume total exportado, o Paraguai foi o principal destino. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar (83 unidades e 9,5% do total exportado), seguidos pelo México (55 unidades e 6,3%).

No acumulado do ano, as exportações de bicicletas totalizaram 10.093 unidades, retração de 5,3% na comparação com o mesmo período de 2019 (10.655 unidades).

O principal mercado foi o Paraguai, com 5.639 unidades e 55,9% do total exportado. Na sequência, vieram Uruguai (1.866 unidades e 18,5%) e Bolívia (1.674 unidades e 16,6%).

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