26 de fevereiro de 2024

Paris lança plano para se tornar a ‘capital mundial da bicicleta’ até 2020

O objetivo é triplicar a quantidade de trajetos realizados a bicicleta, passando dos atuais 5% para 15%. Paris deverá contar com o dobro de vias ciclistas, com 1.400 quilômetros exclusivos

O ciclismo já faz parte do cotidiano dos parisienses, mas a prefeitura de Paris quer ir muito além: está determinada a transformar a cidade na capital mundial da bicicleta. A prefeita socialista, Anne Hidalgo, lançou um plano de ação até 2020, que inclui a diminuição do espaço para os carros nas ruas e a abertura de vias exclusivas para os ciclistas.

Além disso, alguns dos eixos centrais da capital francesa, como a rue de Rivoli, cederão uma faixa para as bicicletas. A ousada proposta visa atender a uma antiga reclamação dos ciclistas parisienses, a de que os motoristas desrespeitam a convivência mútua com as bicicletas.

Prefeitura quer implantar mais vias de mão dupla para os ciclistas da cidade
Prefeitura quer implantar mais vias de mão dupla para os ciclistas da cidade

“O mais importante é acabar com todos os obstáculos ao ciclismo. As pesquisas mostram que muita gente diz que gostaria de andar mais de bicicleta, mas ou tem medo do tráfego intenso e não se sente à vontade em meio à circulação dos carros, ou simplesmente tem medo que a bicicleta seja estragada ou roubada enquanto estiver na rua”, afirma o prefeito-adjunto de Paris Christophe Najdovski, que responde pela pasta dos Transportes.

“O importante é acabar com todos os obstáculos ao ciclismo. Muita gente diz que gostaria de andar mais de bicicleta, mas tem medo do tráfego intenso ou não se sente à vontade em meio à circulação dos carros”

Investimento inédito – A prefeitura promete instalar estacionamentos mais seguros para as bicicletas nas ruas. No total, o plano terá um investimento pesado do governo municipal, de € 150 milhões em cinco anos. O valor é equivalente ao gasto por Amsterdã, uma referência mundial na adaptação do espaço público para os ciclistas. A diferença é que a política holandesa se iniciou nos anos 1970.

Para compensar o atraso, a capital francesa quer implantar a ambiciosa rede “Express vélo”, que terá vias de mão dupla para os ciclistas de norte a sul, de leste a oeste e acompanhando o curso do rio Sena, que corta a cidade.

“A bicicleta é um modo eficiente de transporte, econômica e muito boa para a saúde e o meio ambiente. Cada um de nós tem, potencialmente, a chance de começar a usá-la”, observa Najdovski. “A abertura para o desenvolvimento da bicicleta nas grandes cidades é enorme.”

Tudo menos carro – O prefeito-adjunto ressalta que a cidade é densa, com distâncias curtas, o que facilita a adoção de novos hábitos pelos parisienses. Nos últimos anos, a vida dos motoristas se tornou cada vez mais difícil nas ruas da capital, resultado de uma política deliberada do governo municipal para estimular o uso dos transportes públicos e das bicicletas.

O número de vagas de estacionamento público para carros despencou e a velocidade máxima autorizada caiu para 30km/h em várias partes da cidade. As medidas vão se acentuar até 2020, segundo a prefeitura, para propiciar mais segurança para os ciclistas. A velocidade poderá chegar a 50km/h em apenas 10% das ruas parisienses.

“O que é preciso entender é que a cidade do século 21 terá uma mobilidade sustentável, onde diferentes meios de transporte compartilham o mesmo espaço. Não estamos mais no século 20, quando o carro era o único modo de transporte na cidade”, ressalta.

O “Plano Vélo” poderá ajudar a capital francesa a lutar contra um problema crescente, o da poluição por partículas finas emitidas por carros e ônibus. Por enquanto, a estimativa de impacto das novas medidas na poluição atmosférica ainda não foi estabelecida.

Fonte: Radio France Internationale, por Lúcia Müzell

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